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sábado, 15 de março de 2014

ÍNDIGOS: Brilhantes por natureza



Eles são muito mais numerosos do que você pensa. Pode haver um superdotado ou índigo no seu prédio, na escola ou até na sua casa.


 

por Claudio Angelo



A paulistana Cynthia Laus se define como uma pintora abstrata. “Tentei fazer uma coisa mais acadêmica há algum tempo, mas não gostei do resultado”, diz, enquanto caminha pelo salão de uma conceituada galeria de arte de São Paulo, onde está expondo 29 obras. É interrompida por uma voz que ordena: “Vem cá, põe um agasalho!” É sua mãe. Cynthia obedece. Apesar de tudo, ainda é uma menina de 8 anos.

A jovem artista, que pinta desde os 4 anos, está entre os 3 milhões de brasileiros superdotados. São crianças que geralmente começam a ler sozinhas antes de entrar na escola e surpreendem os pais com perguntas desconcertantes. Mas esses sinais não bastam para identificar um superdotado. Muitas crianças aprendem mais cedo que as outras e, nem por isso, tornam-se mais brilhantes na idade adulta. O desafio dos psicólogos é detectar, entre garotos e garotas precoces, quais possuem inteligência fora do normal. “O superdotado sempre será brilhante”, diz Marsyl Mettrau, presidente da Associação Brasileira para Superdotados (ABSD).

Na caça aos pequenos prodígios, não basta olhar para quem tira as maiores notas. Muitos superdotados são nulidades acadêmicas, simplesmente porque se entediam com a escola. Foi esse o caso de Álvaro de Almeida, de 7 anos. “Fui chamada várias vezes pela escola porque ele era indisciplinado e ia mal nas provas”, diz sua mãe, Tânia, dona de casa. Quando a família se mudou de Porto Alegre para Brasília, há dois anos, os professores de Álvaro na escola pública notaram que ele tinha um talento excepcional para o desenho. Diagnosticado como superdotado, o menino hoje freqüenta aulas especiais de artes.

O Quociente de Inteligência (QI) foi, durante muito tempo, o principal instrumento para descobrir prodígios. Enquanto a média da população teria um QI entre 90 e 110, os superdotados estariam para lá de 130. “O problema é que o teste de QI só avalia o raciocínio lógico”, observa a professora Zenita Guenther, que desenvolveu um método novo de identificação de talentos em Lavras (MG). “O QI não pode ser o único critério”, diz. Hoje, os especialistas concordam em que há uma característica comum a todos os superdotados: é o chamado “pensamento divergente”. Eles raciocinam de maneira diferente da maioria e estão sempre buscando soluções próprias para os problemas. 

Os jovens talentos também costumam ser modestos. “Eu sou normal. Essa história de superdotado é coisa da minha mãe”, diz Cynthia, com displicência, pulando amarelinha no meio da galeria de arte. Ela pinta como uma verdadeira artista, mas não deixa de ser uma criança de 8 anos.

O carioca que conquistou Harvard 

 

Ricardo Tadeu Cabral de Soares enfrentou sua primeira batalha judicial quando tinha apenas 12 anos de idade. Enquanto cursava a 8ª série do Primeiro Grau, ele foi o primeiro colocado no vestibular para Direito numa faculdade particular do Rio de Janeiro. Mas era jovem demais para ter a matrícula aceita. Seu pai, o advogado e arquiteto José Paulo de Soares, precisou recorrer à Justiça para conseguir uma liminar que permitisse ao garoto frequentar a universidade à noite e a escola de manhã. A decisão só saiu depois que ele convenceu o juiz de que o filho era superdotado. 

 

Não foi difícil argumentar. Afinal, um menino que começou a ler aos 3 anos de idade, escreveu um livro aos 9 e aos 11 desenvolveu um programa de computador que dava prognósticos de turfe com 90% de acerto não poderia mesmo ser normal. Assim, em 1988, Ricardo virou o mais jovem universitário brasileiro. Quatro anos depois, entrou para o Livro Guiness dos Recordes como o mais jovem advogado do mundo. 

Aos 18, concluiu o mestrado em Direito na renomadíssima universidade norte-americana Harvard, uma das maiores concentrações de superdotados no planeta. E se tornou o mais jovem mestrando em Ciências Jurídicas nos 362 anos de história daquela universidade. “Ele sempre foi precoce em tudo”, disse à SUPER o pai coruja, dias antes de embarcar para os Estados Unidos, onde a irmã de Ricardo, Marcelle, de 22 anos – que, aliás, também é superdotada –, acaba de concluir o mestrado em Administração de Empresas.


Hoje, aos 23 anos, casado e com um filho, Ricardo é diretor jurídico de uma grande indústria de bebidas no Rio e comanda funcionários com o dobro da sua idade. “Nunca me senti diferente das outras pessoas. Só tive um pouco de visão”, minimiza. “Não acho que tenha perdido a minha infância. Ao contrário. Dá até alívio chegar aonde cheguei, num mercado tão competitivo.”

O desafio de educar os minigênios 

 

Sexta-feira à tarde. Os alunos da 5ª série se reúnem no laboratório. A aula: Mecatrônica e Circuitos Eletrônicos. A cena é um tanto incomum para um Primeiro Grau. Mas essa não é uma 5ª série qualquer. É uma turma de superdotados, que recebe educação diferenciada numa escola particular de São Paulo.

 

“A superdotação é um potencial hereditário, mas que só se realiza num ambiente propício. A falta de estímulo pode bloqueá-la”, disse à SUPER a psicóloga Cristina Cupertino, coordenadora do Programa de Orientação e Identificação do Talento do Colégio Objetivo. Segundo ela, a escola comum é, muitas vezes, um estorvo para o desenvolvimento do talento. Obrigado a seguir o mesmo programa dos colegas, o superdotado se frustra. Ou, pior, nem sequer chega a descobrir para que servem suas habilidades.


Por isso, é vital saber como detectar uma criança-prodígio e ajudá-la a se desenvolver. É o que aconteceu, numa escola de Brasília, com o garoto malaio Huat-Chye Lim, que aprendeu a ler aos 2 anos de idade. Ao perceber que o aluno era diferente dos demais, a diretoria da escola resolveu criar um programa especial, só para ele. No ano passado, aos 14 anos, Huat-Chye ingressou no curso de Computação na seleta Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. Mas nem todo mundo tem a mesma sorte. “Na população infantil brasileira, temos milhões de gênios em potencial”, afirma o fisiologista Gilberto Xavier, professor da Universidade de São Paulo. “Mas ninguém vai chegar lá cortando cana no campo.” 

Segundo a ABSD, apenas 2 470 superdotados têm atendimento especial no Brasil, em sete Estados. Os principais programas estão em Brasília e em Lavras (MG), onde são atendidas cerca de 700 crianças. Em Lavras, as aulas especiais do Centro para o Desenvolvimento do Potencial e Talento (Cedet) são voltadas para as habilidades específicas de cada criança. “A nossa preocupação é criar uma escola desafiadora, onde o aluno não procure ‘aquela’ resposta certa, mas fique livre para buscar as próprias soluções”, explica Zenita Guenther, do Cedet. Não é preciso ser superdotado para perceber que aí está um exemplo que merece ser seguido.

No foco de Hollywood


O pessimismo dos superdotados em relação ao futuro da humanidade é tema freqüente de filmes de Hollywood. Em Mentes que Brilham (foto), de 1992,o protagonista Fred Tate tem úlcera aos 7 anos, de tanto ler sobre guerras e catástrofes. Em Gênio Indomável, de 1997, o prodígio Will Hunting, interpretado por Matt Damon, se recusa a trabalhar para o governo norte-americano para não ter de desenvolver armamentos.

Minutinho brilhante


Os irmãos Tomás e Gustavo Martins podem não ser Spielbergs, mas já conseguiram ao menos uma proeza como cineastas. Em 1997, em São Paulo, eles venceram o Minutinho, categoria do Festival Mundial do Minuto – que premia filmes com 1 minuto de duração – para menores de 15 anos. “Como não sabíamos nada sobre cinema, resolvemos fazer um filme sobre como fazer um filme”, conta Gustavo, 15. Os jurados adoraram. Mas a dupla vai além das telas. Gustavo é escritor e já tem cinco livros infantis publicados. Tomás, de 16 anos, é desenhista. Este ano eles apontam de novo a câmera para o Festival do Minuto. Desta vez o de gente grande.














Fonte: http://super.abril.com.br/cotidiano/brilhantes-natureza-443880.shtml



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